AS RESISTÊNCIAS NO SUL,
CENTRO E NORTE DE MOÇAMBIQUE
Após
a Conferência de Berlim, Portugal lançou-se no processo de destruição das
unidades políticas de Moçambique, destacando dois momentos principais: a
ocupação militar e a instalação dos Aparelhos do Estado Colonial.
1.
A
Ocupação militar (As campanhas de pacificação)
O
período de ocupação colonial divide-se em três partes:
§ As
campanhas ocorridas entre Lourenço Marques até Pungué realizadas nos sertões de
Lourenço Marques, Inhambane e Sofala.
§ As
campanhas em território do Vale do Zambeze e zonas limítrofes.
§ As
campanhas ocorridas entre Vale do Zambeze e o rio Rovuma.
2.
A
Instalação dos Aparelhos do Estado Colonial
Em
1907, durante o governo de Freire de Andrade, verifica-se uma reorganização
administrativa da colónia de Moçambique, sob direcção de Aires de d’Ornelas,
militar e político português que se destacou nas resistências em Marracuene e
Coolela, passando a ser constituída por cinco (5) distritos. Os cinco distritos
passam a ser Lourenço Marques,
Inhambane, Tete e Quelimane e Moçambique.
Perante
a ocupação colonial, num processo que durou mais de duas décadas (1886-1920),
os moçambicanos resistiram para defender a sua soberania, independência e
valores culturais. Utilizaram como forma de luta o confronto directo, a aliança
ou a diplomacia.
A
RESISTÊNCIA NO SUL DE MOÇAMBIQUE
As
campanhas militares iniciaram em 1895. O Império de Gaza estendia-se entre a
Baía de Maputo e o rio Zambeze. O Império de Gaza era prioritário para os
portugueses devido à vastidão. António Enes foi enviado para Moçambique com
esse objectivo. Primeiro atacou os súbditos de Ngungunhane. Em Marracuene,
houve o aumento do imposto de palhota, isso criou uma revolta. Perante essa
situação, os chefes dos reinos Magaia (Mahazule) e de Zixaxa (Nuamantibjana
dirigiram um levantamento armado contra a presença portuguesa na região dando
lugar à batalha de Marracuene, a 2 de Fevereiro de 1895.
Devido
à superioridade militar dos portugueses, Mahazule e Nuamantibjana fogem e
refugiam-se no império de Gaza.
Perante
a recusa de Ngungunhane de entregá-los, os portugueses decidiram atacar o
império de Gaza, desenvolvendo as operações em três frentes:
§ Setembro
de 1895 – Batalha de Magul
§ Outubro
de 1895 – Os portugueses penetraram pelo Vale do Limpopo e submeteram Xai-Xai e
Bilene
§ Novembro
de 1895 – batalha de Coolela, perto de Manjacaze. Os guerreiros de Ngungunhane,
com coragem e valentia, utilizaram a táctica de meia-lua para defender o seu
Império. Os portugueses devido a sua superioridade bélica-militar venceram e
Ngungunhane refugiou-se em Chaimite, onde foi preso, no dia 28 de Dezembro de
1895, por Mouzinho de Albuquerque, nomeado governador do distrito militar de
Gaza.
Ngungunhane,
juntamente com o seu filho Godide, seu tio Nuamantibjana foram deportados para
Açores onde morreu em 1906. As suas esposas foram deportadas para São Tomé e
Princípe. A resistência terminaria a 21 de Julho de 1897, com a morte de
Maguiguane Cossa em pleno combate, em Magude.
Outra
figura de resistência foi o rei Nguanaze, de Maputo que fugiu e refugiou-se a
Sul de Ponta de Ouro, fundando outro Reino.
Questionário
1. Indique
as figuras de resistências da região Sul de Moçambique.
2. Quando
e onde foi preso Ngungunhane?
3. Indique
as causas da transfência da capital de Gaza de Mossurize para Manjacaze.
4. Quem
foi?
a) António
Enes
b) Mouzinho
de Albuquerque
5. Indica
as causas da Batalha de Gwaza Mutini, em Marracuene no dia 2 de Fevereiro de
1895.
6. Qual
foi o protesto dos portugueses para atacarem o Império de Gaza?
7. Quando
é que foi preso Ngungunhane?
8. Identifique
as figuras de resistência
a) Na
região Norte do país.
b) Na
região Centro do país.
A
RESISTÊNCIA NA REGIÃO CENTRO DE MOÇAMBIQUE
A
REVOLTA BÁRUÈ
Objectivo
desta revolta era expulsar os portugueses e aqueles que queriam perpetuar o
sistema colonial na região.
Os
revoltosos eram compostos por uma aliança zambeziana, centrada em torno de
Báruè que iniciou uma luta anti-colonial em 1917.
Causas da
revolta Báruè
§ O
recrutamento de 10 mil homens para o trabalho forçado da construção da estrada
Macequesse (Manica) – Tete;
§ Abusos
sexuais contra raparigas protagonizados pelos cipaios e portugueses;
§ Recrutamento
de 10 mil mancebos para primeira guerra mundial, contra os alemães, uma guerra
que não tinha nada a ver com os moçambicanos;
§ Estabelecimento
da companhia de Moçambique que se propôs a lançar nesta região o cultivo
obrigatório do algodão.
Antes
da rebelião de 1917, os baruístas estavam divididos. Em 1902, foram atacados
pelos portugueses e muitos líderes fugiram para a Rodésia, dentre eles
destacam-se: Mafunga, Hanga, Macombe, Makosa, Nongwe-Nomgwe, Candendere,
Cambuemba e outros. Com esta fuga a comunidade zambeziana ficou dividida em
duas chefaturas:
1. Nongwe-Nongwe
– controlava a parte centra do antigo território cuja capital era Mungari.
2. Makosa
– foi primo de Nongwe-Nongwe que governou os territórios do Sul em volta de
Gorongosa.
Com
o aparecimento na cena política de uma jovem chamada Mbuya que se
autoproclamava possuídora de espirítos divinos alterou o quadro de actuação dos
povos daquela região. Mbuya denunciou os abusos dos portugueses e apelou a
mobilização de uma rebelião popular para combater os portugueses.
A
revolta iniciou no dia 27 de Março de 1917, e em Abril od portugueses foram
expulsos e a Companhia de Moçambique foi destruída. Esta vitória motivou os
povos oprimidos, sobretudo no Sul. Os ingleses não apoiarm os portugueses
porque esperavam negociar com os rebeldes.
A
revolta baruísta chegaria ao fim nos meados de 1917 quando os portugueses
aliaram-se aos nguni do Sul do país. Os guerreiros nguni eram mercenários, por
isso conseguiram alterar o quadro bélico da região do Vale do Zambeze. Os
milhares de voluntários conseguiram um contra ataque violento e cruel,
queimando aldeias, culturas, confiscando o gado e prisioneiros, impondo o
terror na região.
Em
Junho depois de muitas batalhas, os mercenários nguni conseguiram pôr fim a
resistência Báruè. Era o fim da resistência anticolonial no centro de
Moçambique.
As causas da derrota
dos baruítas
§ Os
portugueses utilizavam metralhadoras e artilharia modernas;
§ Erros
tácticos e deserção das tropas baruístas;
§ O
recrutamento das tropas em Angola, Lourenço Marques, Inhambane, Norte de
Moçambique e o reforço de 30 mil guerreiros nguni.
Questionário
1. Indique
as figuras de resistências da região centro de Moçambique.
2. Indique
as chefaturas que existiam em Báruè antes da rebelião de 1917?
3. Indique
as causas da revolta Báruè.
4. Quem
foi Mbuya?
5. Indica
as causas da derrota dos baruístas?
A RESISTÊNCIA NA REGIÃO
NORTE DE MOÇAMBIQUE
Na
região Norte destacaram-se as seguintes figuras de resistências: os chefes
Mocutu-Munu, Khomala, Kuphula, Molid Volay, Farelay, Mussá Quanto (reinos
afro-islâmicos da costa) e Mataca (Ayaua).
Nas
resistências, lutaram recorrendo ao confronto directo, à aliança ou à diplomacia.
Na região Norte assim como no centro do país foram mais prolongadas do que as
resistências do Sul do país.
Mouzinho
de Albequerque era o comissário-régio que comandava os portugueses que numa
primeira fase ocuparam a região de Macuana em 1896 e 1897, sem sucessos.
Os
chefes dos reinos afro-islâmicos usavam a guerrilha (wita) ou razia (otiman) e
alguns casos pela via diplomática contra o invasor, graça a coesa social e
unidade popular. As mulheres, crianças, doentes e velhos estavam isentos de
actividade guerreira. Nesta guerra destacaram-se os chefes, Mocutu-Munu,
Khomala, Kuphula, Molid Volay, Farelay, Mussá Quanto e Suali Bin Ibrahimo,
também chamado por “Marave”.
Em
1905, os portugueses mudam de estratégia, voltam a atacar Nampula e destruiram
as unidades políticas (reinos afro-islamizados e chefaturas locais) existentes,
estabelecem a Capitania-Mor de Nampula. A partir de 1907, montam a
administração colonial.
No
processo da ocupação de Cabo Delgado e Niassa, numa primeira fase, os
portugueses tentaram alianças com os chefes locais através de tratados de
vassalagem, como forma de mostrar aa outras potências que eram territórios sob
controlo de Portugal.
Em
1890, os portuguese montaram uma expedição cujo objectivo era ocupar a terra de
Mataka, mas foram derrotados. Mesmo assim, conseguiram confirmar que os
portugueses controlavam aquela região. Apesar da derrota confirmaram que o
limite do seu território ia até a actual fronteira com Tanzânia. No entanto, os
portugueses, devido a crise económica que foi abalado até a bancarrota, em
1891, fez a entrega formal de Cabo Delgado e Niassa à administração da
companhia do Niassa.
A
partir daí, foi a companhia do Niassa que levou a cabo as campanhas de ocupação
contra a resistência de Mataca no Niassa, de Mwaliya no Meto, em Cabo Delgado,
na região de Namulo, Balama e Montepuez e da resistência dos Macondes no
Planalto de Mueda. Os Macondes e Ajaua revoltaram-se devido a presença da
companhia do Niassa, fundada em 1891 que explorava as províncias de Cabo Delgado
e Niassa, está companhia tinha a responsabilidade de cobrar o imposto, e quem
não pagava, a palhota era queimada, vendia a forca de trabalho para o
estrangeiro e outras regiões do país e tinha plantações viradas para o mercado.
Os Matacas tornaram-se vassalos da Companhia em 1912 e os Macondes resistiram
até 1920, de uma forma geral, foi considerado o último foco da resistência
anticolonial em Moçambique.
Questionário
1. Indique
as figuras de resistências da região Norte de Moçambique.
2. Indique
os Estados e Reinos que resistiram na guerra anticolonial na região Norte do
país?
3. Indique
as causas da revolta dos Mataca do Niassa e os Macondes do Planalto de Mueda em
Cabo Delgado?.
4. Quando
se fundou a Companhia do Niassa?
5. Quem
dirigiu as campanhas de pacificação portuguesa no Norte de Moçambique?
6. Qual
foi o último foco da resistência
a) No
sul do país? Diga o Estado e o ano.
b) No
centro do país? Diga o reino e o ano.
c) No
Norte e em todo o país? Diga o povo e o ano.
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